quinta-feira, julho 02, 2009

Treze.

Um acidente.


A caminho da noite. Acabaram por comer qualquer coisa em casa de Tomás – nothing fancy, uma coisa quase seca - antes de partirem para uma noite de tripop mas era mais um som à Lisa Gerrard o que levavam na alma. A caminho da noite, já na rua. Acabaram por se deter breves instantes num tipo que apresentava à beira-rio o seu espectáculo de robertos. Roberto, para dizer a verdade. O tipo suspendia-se de um boneco de uns bons três metros de altura, ao qual estava ligado por varas metálicas. Neste caso era o boneco quem ordenava todos os gestos. Quando entraram no Lux, iam já nas duas e tal da manhã e sem nada para decidir. Por momentos, os planos da noite foram absorvidos num vórtice de música e corpos de gajas desinteressantes. A meio da noite que já madrugava, Andrés foi contra um dos colegas lá da revista, um tipo baixo e rotundo, mais velho, que foi despejado na agenda e que se ocupava a chatear os jornalistas hora sim hora não com uma conferência de imprensa que estava para acontecer ou uma actriz promovida a estrela que tinha uma sessão de fotografias ou de autógrafos ou uma coisa do género. “Eia Andrés, por aqui?”, não, por ali, quis responder-lhe mas foi um “Eia” que lhe saiu e sem dar por isso já estava ouvir não sei o quê dos horários da revista e que estava a ser lixado com os subsídios e que era uma merda ter de trabalhar tardes e noites por causa não percebeu de o quê quando sem anúncios esofágicos jorrou um vómito para cima do colega que acabara de encontrar entre duas músicas lentas e chatas. O colega não levou a coisa a bem e fez um ensaio de que queria arrear-lhe mas Joaquim que estava por perto a rir às gargalhadas interpôs-se e arrancou dali para fora com Andrés por um braço enquanto fazia sinal a Jean e Tomás. E tudo o que eles eram estava resumido nesse momento. Uma náusea imensa pela vida. Pela vidinha.

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