terça-feira, junho 30, 2009

Oito.

Snake.


Jean Pierre não atendeu e também não houve mensagem na sua caixa.

A noite não acabou com o jantar. Aquelas noites nunca acabavam com o jantar. De início um para cada lado um pouco embutidos em si próprios, como um caracol dentro da casca. Mas vê bem Tomás compreendes agora o tipo quer aplicar aquilo o chefe do Jean o tipo quer testar o plano e quer pôr o Jean à frente do projecto-piloto e como ele se recusa despede-o o que é que achas disso achas normal. Tomás era como um Muezin a metralhá-los com o imperativo moral que exigiu que o chefe de Jean Pierre morresse.

- Mas não pode ser que seja assim – sustentava Tomás.

- Ah. Mas é, por isso vos digo que o tipo deve morrer. Está a colocar o Jean numa posição insustentável e ameaça despedi-lo. Por ISSO deve morrer.

- Amanhã vou tirar isso a limpo com um gajo da outra vereação. Falo com ele e decidimos as coisas a sério. Não acredito que exista um plano tão macabro.

Joaquim levanta-se e pede silêncio com as mãos.

Espera, vocês pensam que eu estou preocupado com a merda da supressão de trabalhadores – não, não - também tu, Tomás. Não. Sabes que a filantropia não é a minha especialidade. Porra, não perceberam que é o Jean que me preocupa. Pararam o que estavam a fazer. Não se podia dizer que Joaquim os tivesse surpreendido, afinal era de Joaquim que se tratava. Mas por meia hora convenceram-se de que ele estava verdadeiramente empenhado em colocar o mundo nos eixos certos, que tinha nas mãos os corações de viúvas e de viúvos e de pequeninos órfãos de uma guerra sem quartel que aí vinha.

Vamos ver se vocês percebem uma coisa: o mundo há-de sempre tentar aniquilar-se de uma maneira ou de outra e nós não vamos poder fazer nada acerca disso. (colocou um indicador nos lábios) Mas há uma coisa que nós a que estamos obrigados: defender-nos uns aos outros. Os olhos de Joaquim eram agora como os de uma cobra e, advento do vinho ou não, o seu corpo parecia-lhes ondular no meio da sala. Quando o deixaram e foram para casa as ideias que os acompanharam tinham um escasso sentido, uma coisa de conto de fadas.

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