quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Jerónimo de Sousa

Se uma coisa positiva se manifestou nesta campanha foi o líder comunista. Muita gente - também eu - se enganou ao pensar que acabava com o grito de Jerónimo o enclave do PCP.

Pelo contrário, Jerónimo de Sousa é um gentleman.

Quanto ao debate de ontem na RTP, com excepção do caso Jerónimo - que ainda assim teve a melhor tirada da noite: "perdi a voz mas não perdi a esperança" -, não pude deixar de reparar na quietude de Sócrates, no coelho tirado da cartola bloquista de Louçã, no abatimento lá para o fim de um de novo enfadado e cinzento Santana (como um líder prestes cair no precipício) e, last but not least, no primeiro tiro no pé de Portas.

Disse na sua mensagem final que... os brilhantes portugueses, geniais e os empresários que esses sim devem ser incentivados. O líder popular esqueceu num assomo de sinceridade o povo das ruas e das feiras que o levaram ao colo. Quanto a mim digo - esses a quem ele dirigiu as sábias e últimas palavras não são quem preocupa, esses sabem como vencer a vida. A mim, quem me preocupa, são os jovens de Cascos-de-Rolha-Atrás-do-Sol-Posto. As famílias que trabalham inteiras na fábrica que fecha e não poderão nunca abrir empresas. Aqueles a quem foi roubada a meninice e não têm agora anos de escola que os poderiam ajudar na sobrevivência.

É verdade - empresários significam mais empregos. Mas não é "fazer" mais jovens empresários de sucesso. É "manter" os que existem e obrigá-los a não fugirem ao que são - obrigá-los a serem líderes e não apenas patrões.


Um abraço e até logo que não sei ainda em quem vou votar (pelo menos - sei em quem não vou votar)

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