quarta-feira, maio 05, 2004

Quando a dor já cá não cabe

Gilene. Foi a partir deste nome. Uma criança de São Tomé que está a morrer porque não tem dinheiro para os tratamentos à Sida que a consome. Não tem dinheiro. Uma menina de cinco anos não é suposto ter dinheiro.

Quando a dor se torna insuportável cá dentro temos ideias destas. Quando vemos crianças e imaginamos muitas mais a gritarem por mães que nem têm, temos ideias destas.

Já uma vez escrevi que os políticos de que me lembro são de uma incompetência atroz. Cruel mesmo. E depois surgem-me coisas na cabeça, coisas quase igualmente cruéis que exigem sacrifícios a quem os não deve.

Imaginem que um dia alguém se lembra de levar os filhos recém-nascidos dos grandes líderes da política e da economia mundial para África e os misturava com as populações carenciadas, a morrer de doença e de fome. Se algum pingo de humanidade houvesse nos corações dos seus pais, se alguma réstea de lógica funcionasse nos seus cérebros, não tentariam eles levar a todos o que queriam que chegasse a um? Em que ápice se resolveriam os problemas daqueles que nada têm? Não sei, estas ideias são apenas daquelas. Coisas que eu penso há anos mas sobre as quais evito escrever. Eu também sou culpado pelo pouco que faço.

Um abraço, até logo

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