quarta-feira, abril 28, 2004

Portugal, onde está Abril?

Já antes me apoquentavam os males alheios. Com maior dor os das crianças, dos velhos e dos animais. Os mais fracos.

Agora que sou pai, vejo que não estava a teatralizar. Não: tudo é muito pior. A minha filha adoeceu - e são otites e larangites e... Vi como tinha sorte por fazer uma coisa que nunca imaginei que fosse de privilégio: comprar medicamentos, chamar um médico a casa.

Esta coisa do comum dia-a-dia atirou-me para análises mais preocupantes: quem faz política não é pai. Não o é, seguramente, para os seus concidadãos. Será, quando muito, padrasto a prazo (de um qualquer mandato).

Mas não é isto coisa de surpreender, senhores. A pior frase que ouvi sair da boca de alguém foi proferida após manjar bem regado, para espanto meu, por um jornalista de responsabilidade. Inerentes à profissão e, em acréscimo, responsabilidades dentro da classe e para com os seus pares. Em particular, para os novéis candidatos a quem ele se dirigia e que também era eu.

Disse esta coisa tão comum e tão tremenda de crueldade: "Pimenta no cú dos outros é açucar para mim." Não é assim que eu quero passar pelo mundo.

E é nos pequenos sinais que devemos ancorar as nossas angústias. E eu, não posso deixar de me comprometer com o futuro. Tenho o DEVER. Carrego o dom alheio. Há não muito tempo, sete espíritos absolutamente invulgares - mas deste tempo -, fizeram tábua rasa da sapiência daquele ilustre jornalista que um dia ouviram numa sala que só era exígua em espaço e adiaram o próprio futuro por aquele que apenas conheciam havia um par de anos.

Todos aceitaram adiar o futuro por alguém que mal merecia estar entre eles. E ainda não estão bem. E eu deveria ser capaz de fazer muito mais.

Em tempos de homenagens, lembro-me das palavras de uma interveniente, há semanas, no Fórum da TSF. Dizia a senhora que nos 30 anos do 25 de Abril os grandes heróis eram aqueles portugueses silenciosos que suportavam uma vida de angústia e de faltas. Eu também assim o achei. Mas hoje, quero deixar a minha homenagem aos que o adiaram mas que terão um futuro como os dias de Sol que agora correm.

Obrigado, um abraço e até logo

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