sábado, maio 21, 2011

Um.

TRÊS SEMANAS ANTES - TOMÁS CORRE PELA VIDA

Aqueci ligeiramente os músculos antes de sair do prédio. O átrio ao fundo das escadas tem um vaso de louça gigante com uma planta que de certeza está nos conhecimentos do Joaquim, apoiei os pés no rebordo e fiz uns alongamentos para não rebentar com as pernas nos primeiros metros. A porta está a fechar-se atrás de mim, escolho a música para a corrida, uma ninfeta com calças de cintura descaída e pernas compridas prepara-se para virar a esquina. Não te vires, não te vires. Isso. Desaparece no azimute da aresta de pedra suja do prédio da esquina e fantasio com Botticeli à mistura. A porta fecha-se com estrondo. Encaixo os óculos de lentes amarelas. Play. O Movement dos New Order está aqui à mão e há-de servir. O fim da tarde parece-me mais frio do que estava à espera. Tenho a impressão de que vou sentir o vento gelado na camisola suada lá mais para a frente. Antes de deixar para trás o edifício da câmara, quando encostei a porta do gabinete, pareceu-me outra a temperatura que entrava pela janela alta da minha sala, promessa que se rasgou assim que pus pé na rua, é verdade, mas ainda assim diferente desta humidade fria, quase asséptica. Aos primeiros acordes de Dreams Never End já estou em passo de corrida, um trote ligeiro, sempre atento a lesões antigas, dores que me lembram que estou vivo, a música dá-me um certo ânimo e começo a acelerar em direcção à sede da Caixa Geral de Depósitos, ânimo, änima, estamina acabada de descarregar nas veias enquanto escapava a um carro que não contava comigo a atravessar ali junto às bombas de gasolina, a música avança, já não posso voltar a casa, agora que contorno o edifício de pedra branca pela esquerda e começo a pedalar pela João XXI acima já só quero voltar a casa e perder-me seja com o que for mas não posso, estou a todo o gás entre vultos desfocados pelo vapor nas lentes, confiro no relógio que cheguei às 175 rotações, 175 bpm é o que me diz o leitor azulado, bpm para batidas por minuto, pobre coração, em breve estarei a descer, agarro-me a isso na parte final da subida, corro que nem um desgraçado, cruzo-me com um par unido pelas mãos que me olha nos olhos, através do amarelo das lentes, é isto sempre que me cruzo com alguém, olham-me nos olhos, do nariz para cima pareço uma drag queen mal amanhada, lamentei-o ainda antes de sair, no espelho ao lado da porta, só há uma saída para isto: seguir em frente, o cruzamento da João XXI com a Avenida de Roma é um problema, nos dias bons desço pelo passeio da direita junto da loja dos peixes, o bazar de roupas, do café, a evitar os carros que saem das garagens e a gente decente desta parte da cidade que sobe sobre calçada portuguesa, vigio o vermelho-verde-laranja-vermelho dos semáforos no cruzamento com a Avenida de Roma, encontrar o momento para atravessar sem diminuir a passada é em si uma ciência, a merda do mp3 encravou, vermelho, tudo parado, tento ganhar espaço entre os carros para seguir em direcção ao Areeiro, passo para o outro lado mas é uma fila interminável que enche a Avenida de Roma, carros a dez à hora, continuo pendurado nesta margem, numa berma de passeio na direcção do Júlio de Matos, é agora, enfio-me por uma brecha e faço um pequeno sprint até ao outro lado, estou outra vez nas 175 pulsações e queimo mais meia dúzia de bolinhas de colesterol, foi o colesterol que me atirou para isto a horas impróprias no início do Inverno, já sabe ou deixa de fumar ou deixa o café ou toma isto para o resto da vida, foi na medicina do trabalho, uma médica a acenar-me com uma lamela de comprimidos de Sinvastatina à frente do nariz, eu estava a abotoar a camisa e pouco ouvia, é uma das minhas habilidades, olhar nos olhos dos outros sem ouvir uma palavra do que me dizem, e vir de família com homens que morrem até aos cinquenta de válvulas do miocárdio entupidas, foi o que me disse, não foi?, não ajuda, sabe, são três factores de risco e tem que eliminar um, sei, ouça, enxerte-me aí noutra árvore genealógica que esta só me dá problemas e temos o problema resolvido, você é muito engraçado, mas olhe, diz-me já sentada atrás da secretária azul claro, pode fazer exercício, mas é dia-sim dia-não, sem desculpas, ainda que eu ache que não vai escapar a uma medicação vitalícia de estatinas, volta a acenar com a merda dos comprimidos que são capazes de derreter sangue, rins e fígado, tudo de uma assentada, acha? está enganada querida, isto caiu para metade com um ano de correrias a inalar escapes pelas artérias da nossa bela capital, estou a uns cinquenta metros da Rotunda do Areeiro e começam a doer-me as canelas, a corrida vai com uns míseros cinco minutos e era inevitável, as dores nas canelas tinham de chegar para só abalarem quando tiver acabado de contornar os muros do Técnico, mas estou a respirar bem, depois daqueles primeiros minutos com uma ninhada de gatos a entoar música minimal a meio caminho entre a traqueia e os pulmões estou a respirar bem, nem sei porque é que me preocupo com o colesterol, se não me preocupo com a vida, que importância é esta que a dos agentes da morte? não há prole, que eu saiba, ah! o colesterol como catalisador filosófico, a doutora não chegou a dizer nada sobre o colesterol como combustível vital, fonte vital, tudo o contrário do que lhe ensinaram a ela, ser robusto chegado das Índias via Moçambique, os compêndios ordenados por detrás da secretária azul claro, ordenados numa cristaleira de médico, amostras como bibelôs, são para a vida toda, nem que lhe pare um rim para a semana, começo a absorver as partículas de humidade que pairam do ar com leve fragrância a Galp, talvez Repsol, BP, definitivamente um toque francês, um toque que desencadeia rememorações de juventude, férias de Verão em Paris num Verão quente, a memória sem substância dos escapes franceses que produziam essa fragrância, um odor mais cosmopolita do que a gasolina com chumbo a que estava acostumado, ainda a respirar acanhamentos, resquícios dos anos antes da revolução, inspiro, uma duas três passadas, expiro, um dois três quatro, tiro o MP3 de dentro dos calções térmicos, a caixinha branca está húmida e a escapar-se-me entre os dedos, esteve a patinar durante duas músicas, salto para o Hymn, a direito e a toda a velocidade pela Almirante Reis abaixo para voltar a cortar logo de seguida à direita e entrar na Avenida Paris, cruzo-me com um miúdo enfezado que vai pela mão de uma mulher, pode ser avó ou mãe, avó e mãe, um pela mão do outro, apanham-me à saída dos estaleiros que escondem uma obra no passeio que não sei se vai abrir mais uma entrada de metro, apanham-me desprevenido, tudo se desvanece - a rua com esplanadas meio animadas pelos funcionários que acabam de descer dos escritórios, as árvores alinhadas e carros mal parados que põem outros carros a serpentear pelo meio da estrada - tudo se apaga com aquele pequeno pela mão, entro num canto esconso não sei onde: estão três bebés alinhados, são imagens que as televisões não passam à hora de jantar mas eu testemunhei-as um destes dias noite adentro, são três corpos pequenos postos juntos, um tem a cabeça ligada, parece que dormem mas não, há um homem que se aproxima daquele que tem a cabeça ligada, beija-o uma vez e outra, a cabeça move-se a cada toque dos lábios escuros do homem, nada mais responde no seu corpo, ouve-se allah uh akbar da porta onde se apertam árabes com os keffiyeh, pequenos dedos esticados das mãos, dos braços ao longo do corpo pequeno, já sem qualquer esforço para encontrar sentido nos bombardeamentos contra Gaza conformava-me há dois dias sentado frente à televisão com uma sandes de atum numa mão e um copo com cerveja Guinness na outra, não vi temíveis membros das brigadas palestinianas de al-Aqsa, do Hamas, nada daqueles milicianos que aprendem desde cedo a arte de lançar foguetes artesanais contra em direcção à terra prometida, não eram eles que se alinhavam no mármore branco, só os três bebés, conformo-me com esta repulsa pelo Estado herdeiro de Auschwitz-Birkenau, não espero nada de ninguém, os corpos estão alinhados em cima do que parecem recipientes de metal usados pelos pasteleiros para levar a massa ao forno, três corpos pequenos inertes vestidos de corres garridas, ou é talvez do sangue, repousados na chapa brilhante contra uma pedra de granito pardo, desligo a televisão e sinto-me na alma de um estropiado, terá a ver com um qualquer código de honra, o código da Cosa Nostra: apagar um adversário é não deixar ninguém para trás, fazem-no para libertar as crianças de vendettas futuras, pelo que chacinam famílias por atacado, por respeito, deve ser também essa a cartilha do Tsahal, matar a eito para desobrigar as proles palestinianas, é uma estranha idiossincrasia a que guia mancebos de todo o mundo à terra prometida para sopesarem os vizinhos na mira de uma Uzi, estou nisto de buscar as coordenadas da Torah e à minha frente já tenho a igreja da Praça de Londres, hebreus não pensem que me falta estofo para odiar as brigadas de shahids que vos levam as crianças, só que hoje não, falta-me a força, levanto os olhos para a cruz, passo a avenida com dificuldade, queria interrogar Deus mas tenho de me haver com os carros à minha esquerda, ardem-me as canelas, tenho de comprar outros ténis, de uma paragem de autocarro quatro mulheres espreitam-me e eu quero dizer-lhes queridas não tenho esperança nenhuma mas não há qualquer problema nisso, fixam-me, por momentos imagino-as a moverem os lábios como carpideiras, um autocarro aproxima-se, torcem os pescoços e desviam os olhos, não posso esconder o que me vai cá dentro, a igreja a desaparecer à minha direita, Adonai, Adonai

Do outro lado da cidade, neste preciso minuto, Andrés está em cima da noiva num terceiro quilómetro penoso, o terceiro quilómetro, foi a única coisa com espírito que lhe ouviu em anos: uma tarde anunciou que se juntava a Tomás nas corridas nocturnas pela cidade; podes fazer esses quilómetros em cima de mim, respondeu-lhe ela. Por isso o assessor esfalfa-se a solo pelas avenidas novas e ele está do outro lado da cidade, numa moradia do Restelo, no piso dos quartos, a transpirar como um velocista em cima do peito de Ana, está no terceiro quilómetro, já queimou uma caixa de preservativos mas só pensa em sair dali. Não pode mais. Desce pelo pescoço, não passa de um cão, põe a língua a correr os ossos do externo que sobe e desce como um fole fora de ordem, está encurralado no cheiro a sexo, vai à volta do umbigo, faltam uns centímetros, isto acaba-se, doem-lhe os maxilares, não pode parar, falta pouco, todo o sistema de veias a afluir às orelhas, ouve as batidas cadenciadas do próprio coração, esgotado, shuff - shuff - shuff - shuff - shuff - shuff - shuff - shuff - shuff - shuff – shuff, ela aperta-o ainda mais a cada espasmo entre as pernas, cada vez mais, ouve os gemidos longínquos mas é o sangue que chega cada vez mais claro cada vez mais forte cada vez mais sozinho, perdido entre a pernas dela, a pequena coquete que se abandona e o deixa cada vez mais sozinho, a noiva que neste êxtase está a deixar de o ser, com as coxas a estrangulá-lo, só pensa em livrar-se daquele abraço, sair dali, tenho de passar pelo Tomás, adeus Ana.

Adonai, estou por um fio, nas últimas semanas as escadas da igreja têm sido habitadas por um homem esfarrapado a quem à saída da homilia deve haver gente a contornar, olho para trás procuro com a vista ainda turva até o encontrar sentado no lajedo com as pernas cobertas por uma espécie de edredão fino rasgado meio reclinado sobre o cotovelo enquanto junta e separa e vira do avesso e sacode e depois dobra sacos de plástico e sacode também os cabelos como quem exorciza maus pensamentos ou adventos, está ali mesmo às portas do Senhor mas nunca o vi dar um passo igreja adentro ou gritar sanctuarium talvez de pouco lhe servisse e ele o saberá, fica-se deste lado da portada austera até que um dia tarde demais alguém ainda a descer do alto de um púlpito lhe diga que era para ele apenas que aquela porta pesada se entreabria sempre que multidões aflitas por contrição a transpunham

Não vás já, os meus pais chegam tarde, ainda temos tempo.

Não posso mais, percebe, não aguento.

Fica.

(Ana, não fomos feitos para durar. Não te posso dizer isto mas não aguento mais, fodi-te com tudo o que tinha e fiquei sem nada para te dar.) Desculpa, tenho de ir.

Mais um bocadinho.

(Mais o quê, não tenho o que tu queres.) Tenho de ir. (Não sabia exactamente o que lhe queria dizer.)

quem foi o animal que roubou aquelas três vidas, que com dedo determinado apertou o gatilho depois de mirar, meu deus não sou digno que entreis na minha morada mas dizei uma palavra e serei salvo, transpiro muito talvez seja do Redbull talvez de mim, ninguém me dá o braço corro em sentido contrário às mulheres distraídas que agora gritam para o condutor do autocarro que cerra os dentes antes de fechar as portas, os olhos negros brilham-lhe e arranca com uma felicidade que me faz estremecer, indiferente aos gestos abandonados das funcionárias ainda com as batas da empresa de limpezas e que estão a pé desde madrugada e estancam com as mãos nas ancas, não quero desistir mas quando entro na Avenida Manuel da Maia sinto que não posso mais sei que me basta virar à direita, estou a dois minutos de casa, transpiro transpiro demais, as imagens que um operador de câmara recolheu naquela cidade do antigo testamento escorrem-me dos olhos, tenho a vida turvada sinto-me outra vez aquele estropiado, quero voltar para casa estou perdido, Pol diz à mãe que já vou, quero voltar para casa quero pensar que é aquele vento que me apanha sempre ali vento frio que apesar dos óculos me ataca sempre ali do flanco direito quando varre a intersecção com a Avenida do México, os olhos húmidos é do vento, estou só comigo, porque é que minto? a verdade é que não sou suficientemente forte, o Sol já se foi, a música acelera eu com ela, deixo de me mover como uma sombra um taxista treina tangentes comigo mas era só para mim este sinal verde, que idades tinham os bebés, passei a Alameda, contorno o Técnico pela esquerda, continuo a empurrar-me contra todos os limites, três anos no máximo, morro, vai ser sempre a subir enquanto passo pelas meninas eslavas que iniciaram o turno das oito, estão ao ataque, inspiro-me com estas modelos de saias curtas e ataco também mas a subida daquele bocado penoso de rua que quando faço de carro me parece menos íngreme do que realmente é, nos auscultadores uma polifonia dos The Sound que me espicaça para os últimos vinte minutos, haverá banda mais maltratada? não admira que o Adrian Borland se tenha atirado para debaixo de um comboio, filha da mãe de subida que em tempos já chegou a obrigar-me a intercalar corrida com marcha para depois retomar na descida mas não hoje corro à força de ódios antigos, pulsação a 178, é agora que ganho forças nas pernas, acabo de contornar o Técnico já vejo o Pingo Doce, deixaram de me doer as canelas vai ser um passeio até ao Campo Pequeno mas estou moído, as pulsações baixaram para 140 ganho velocidade, poucos carros, os suburbanos estão encaminhados para duas horas de rodagem lenta até casa, a cidade é minha para fazer dela o que quiser, a esplanada do Galeto está sem turistas, atravesso a praça do Saldanha ao som de Silent Air continuo a saltar músicas you showed me that silence that hunts this troubled world, falta pouco, é só descer faço a 5 de Outubro a embaixada de Israel está por ali à esquerda, durante anos a procurar os indícios das doze tribos no genoma uma única peça entre milhões delas que me traduziam num descendente de cristãos novos um metro de nariz adunco matriz de comerciantes todos os apelidos os apelidos da família chegada e afastada uma geografia sefardita a pôr-me na linhagem do povo de D-us um marrano feito cristão-novo, anos a encontrar-me e agora isto, desconcentro-me estou perdido tropeço numa tampa de esgotos que consigo evitar três dias por semana, estou por terra tenho de controlar a respiração, levanto-me sacudo as palmas das mãos, inspirar uma duas três passadas, expirar um dois, a avenida não tem movimento e estou completamente acelerado, tenho de manter-me alerta - há tempos quase me vi debaixo de um carro na Miguel Bombarda porque pensava estar na João Crisóstomo que corre da esquerda para a direita e olhei para a esquerda à procura de carros quando a Miguel Bombarda corre da direita, a minha vida esteve para se cruzar com a chapa de um bólide -, continuo a transpirar mais do que quero mas estou leve, passo por uns almofadinhas tardios, pulsação a 145 enquanto passo embaixadas e ministérios à esquerda e à direita, Israel ficaste para trás mas sei que estás aí que queres tu Israel mostrar que matas bem um dia estarás só Israel, viro à direita para a Júlio Dinis e vejo no crescente do Campo Pequeno a meta das três milhas. O cronómetro diz-me que corri a cinco minutos o quilómetro, cruzo sobre a Avenida da República já em passo lento. Paro junto às fontes e faço-me aspergir abundantemente. Que idades tinham? Três, quatro, cinco? Povo escolhido, o caralho.

Sento-me num dos bancos de granito que ladeiam a água a nascer de uma grade de metal ao nível do chão, dói-me o pé direito, um aleijão que volta de quando em vez dos tempos em que me agarrava a kimonos como se fossem a última réstia de vida voltou hoje para me atormentar, desaperto os atacadores. Estico-me como posso e sinto-me a estalar, a caminho de casa vou a respirar em golfadas generosas com as minhas contas de oxigénio, inspiro, três passos, expiro, três passos. Ar pleno de uma vitalidade que na verdade já não existe, um dois três expira meu, expira antes que seja tarde demais. Dava tudo por um cigarro. Eu não sou isto. Não aguento, liberto um grito surdo, não há ninguém em volta. Eu não sou bom, não é para mim a aspersão das águas bentas, a purificação não é um fato à minha medida: a prova é que em duas horas estarei a decidir a vida de um homem que nem conheço. Antes de acabar esta quarta-feira de fins de Janeiro, antes de a noite acabar, estarei implicado numa irmandade que se vai atirar ao pescoço de um engenheiro e acabar-lhe com a vida, sem um frémito, com as mãos cálidas, acabar-lhe com a vida, uma vida reles, vão dizer-me, escondida entre qualidades que se adquirem nas melhores misturas de genes e são depois aperfeiçoadas em colégios caros de religiosas dos quais, nós, comuns mortais, apenas ouviremos falar. Essa vida vai estar nas minhas mãos. Como se isso fosse apenas um troço do caminho, um rumo como outro qualquer, em que me cruzarei com o destino de um engenheiro que uma tarde chegou à bifurcação que peneira os homens e a quem foram estendidas opções, mas ele pertence a essa espécie que não conhece a hesitação. Eu ainda não sabia como estava para acabar a noite, tanto quanto aquele homem não sabia que os caminhos bifurcados encerram a escolha da vida e - imagino - continuava a esconjurar-se com acções do dia, obrigações quotidianas que de certo modo fazem dele uma pessoa de bem. Estou à porta de casa e tudo é cansativo, a vidinha, irremediavelmente cansativa.

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