sábado, maio 16, 2009

que queres tu? ser poeta?
dizer as coisas belas e encontrar nelas a alma dos homens
por que escreves? queres a glória polvilhada pelos tempos?
é de ti que queres que falem mas a tua vida
não mais do que é que ser quieta
o que queres tu dos tempos se o teu corpo
são ossos e carne movidos a sangue e ar inspirado
e víveres mal defecados
que assomo é esse de maravilhar os olhos e os ouvidos
para devassar o coração dos teus pares e ímpares
que tempo tens tu de perder para assentar esses
traços a que queremos dar sentidos
por que teimas ó obstinado?
não te chega o anúncio do pardal da manhã
encontras pouco num passo estugado que te contorna
pela esquerda quando olhas a espalda descoberta
de uma fêmea
não te percebo por que guardas no bolso das calças
os artefactos outrora cuneiformes
esperas a folha de assento?
acreditas que tornarás diferente e única
que será manejada nos salões e que por ela as
vozes se tranformarão
acreditas ou crês? e se crês, crês mesmo?
por que afadigas tu no solitário labor de buscar uma
voz surda
se te foi dado já o poder do grito
um grupo de garotos está ao alcance dos teus dedos
mas a bola que projectaram no ar transformou
uma janela em pedaços caleidoscópicos e isso é mais
consequência e desordem
do que palavras que alinhes na
folha de assento dos dias
as folhas que tu queres que provoquem desalinhos
nos salões iluminados por candelabros altaneiros
que queres tu a final meu rapaz?

vive antes

2 Comentários:

Blogger pol disse...

esquizofrénico de pol para pol

então?, armado em poeta que não o quer ser? ou armado em poeta que não o pode ser?

continuas fraco e indeterminado

meu rapazelho

1:52 da manhã  
Anonymous Carlos disse...

Chegou cansado das campanhas na Bética. Entrou. Repousou por um instante no gelo de um banco de mármore. Desapertou as sandálias. Levantou-se. Arrumou o gládio a um extremo da despensa e o estandarte numa mala de viagem. Sacudiu a caspa do retalho de leopardo a tiracolo. Apontou à casa-de-banho. Abriu o jornal, encaixou as nádegas e começou a cagar. Patria est ubicunque bene est, pensou.

Relaxa, camarada.

9:34 da manhã  

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